24.01.2019

Porque não vemos grandes campanhas públicas para a prevenção do Câncer Colorretal?

Dr. João Cláudio Wasniewski da Proctomais de Criciúma comenta artigo recém-publicado no The New England Journal of Medicine sobre o tema.

A coloproctologia, também chamada de proctologia, é a e spe c i a lidade médi c a dedicada ao tratamento das doenças do intestino grosso (cólon), reto (parte final do intestino) e ânus. Um dos papéis importantes desta especialidade é o rastreamento do câncer de intestino com o exame de colonoscopia. A colonoscopia consegue avaliar o interior do intestino através de um equipamento óptico, permitindo diagnosticar e retirar as lesões precursoras do câncer colorretal. Essas pequenas lesões chamadas de pólipos podem, ao longo dos anos, se transformar no câncer de intestino. O exame está rotineiramente recomendado para todos os adultos maiores de 50 anos. Pacientes com história familiar de câncer colorretal devem iniciar o rastreamento aos 40 anos ou menos dependendo do caso.

O câncer de intestino pode levar meses ou anos até tornar-se sintomático e, por isso, os testes pr eventivos s ão de extr ema importância. Os sinais de alerta, quando presentes, incluem sangramento nas fezes, sangramento anal ou fezes escurecidas, perda de peso inexplicada ou não intencional e cansaço. Queixas digestivas como dor e distensão abdominal, dor lombar ou alteração do hábito intestinal como diarreia, constipação, fezes finas ou sensação de esvaziamento anal incompleto devem ser avaliadas.

O coloproctologista João Cláudio Wasniewski (CRM 16146 RQE 8022) de Criciúma comenta alguns números alarmantes. “O câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum em homens e o segundo em mulheres, representando quase 10% dos novos canceres diagnosticados anualmente. Fatores de risco conhecidos para a doença incluem o consumo de carnes processadas, bebidas al coóli cas, fumo e obesidade. Por outro lado uma dieta rica em fibras, o consumo de produtos derivados do leite e a realização de atividade física regular são fatores de proteção para a doença.”

Em março deste ano foi publicado um artigo no The New England Journal of Medicine, uma das mais importantes revistas médicas internacionais, que reforçou a prevenção. Há estudos suficientes mostrando que a realização de um único exame de colonoscopia ao longo da vida reduz a taxa de surgimento do câncer e de morte pela doença nos conta Dr. João Cláudio. 

O coloproctologista afirma que campanhas para alertar a população a respeito dos exames preventivos para esse tipo de câncer já estão sendo realizadas em diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, organizações públicas e privadas vêm fazendo campanhas de conscientização. Uma das entidades mais ativas chama-se “Fight Colorrectal Cancer”, lutando contra o câncer em Português. Essa organização é formada por pacientes que tiveram o câncer e que, agora, tentam alertar os outros para que a doença seja prevenida ou descoberta na sua fase inicial, quando as chances de cura são melhores.

"0Estive durante três meses no Japão em uma especialização que abordou a retirada de lesões pré-cancerígenas através da colonoscopia ou cirurgias. Por lá também existem programas bem estruturados de conscientização contra a doença realizados pelo governo com taxas crescentes de sucesso.”

O profissional conta que no Brasil algumas entidades estão trabalhando para a promoção desta campanha no mês de setembro. Seria o “Setembro Verde” com foco na prevenção do câncer de intestino. “Entretanto ainda temos muitos obstáculos para que a população realmente tenha acesso ao exame de colonoscopia. A complexidade do procedimento exige equipamentos de alto custo, serviços médicos estruturados para o atendimento do paciente bem como a realização de sedação por médico anestesiologista. Além disso crenças pessoais e falta de conhecimento sobre os exames disponíveis colaboram para o baixo índice de pacientes que procuram a colonoscopia.”

28.02.2018

Coloproctologista Criciumense retorna após especialização em colonoscopia intervencionista no Japão

Dr. João Cláudio Wasniewski da Proctomais de Criciúma passou três meses no Showa University Northern Hospital.


A coloproctologia, também chamada de proctologia, é a especialidade médica dedicada ao tratamento das doenças do intestino grosso (cólon), reto (parte final do intestino) e ânus. Um dos papéis importantes desta especialidade é o rastreamento do câncer de intestino através da colonoscopia. O Dr. João Cláudio retorna ao Brasil após ter realizado uma especialização nesta área na cidade de Yokohama no Japão e nos fala sobre o que há de mais moderno sobre o tema.

 

Qual a importância da realização da colonoscopia?

A colonoscopia é um exame que serve tanto para diagnóstico como para prevenção do câncer de intestino. O principal procedimento terapêutico realizado na colonoscopia é a retirada de pólipos do cólon e do reto. Esses pólipos podem, ao longo dos anos, dar origem ao câncer de intestino.

 


Quem deve realizar a colonoscopia?

O exame está rotineiramente recomendado para todos os adultos maiores de 50 anos como parte do programa de prevenção do câncer de intestino. Pacientes com história familiar de câncer colorretal devem iniciar o rastreamento aos 40 anos ou menos dependendo do caso. 

 

Porque os japoneses são referência quando se fala de colonoscopia?

Na verdade, este exame foi criado por eles, explica João Cláudio. No início dos anos 70 os japoneses desenvolveram os endoscópios flexíveis, que permitiram examinar o interior de praticamente todo o tubo digestivo. Ao longo dos anos, os aparelhos foram se sofisticando e, hoje em dia, fornecem imagens bastante fidedignas, de alta resolução, em HD, e com capacidade de zoom que permitem a avaliação de detalhes da mucosa intestinal.

 

Qual o principal aprendizado que você trouxe para a nossa região? 

Com certeza foi o aprimoramento da retirada de lesões planas intestinais pré-cancerígenas. As lesões planas, ou seja, praticamente sem saliência presentes nas camadas superficiais da parede do intestino, são as mais difíceis de serem detectadas e são lesões que, em geral, apresentam risco maior de câncer. 

 

E quais as novidades para de tratamento destas lesões?
Bom, esse tipo de lesão intestinal pode crescer lateralmente, eventualmente por vários centímetros.  Uma opção terapêutica para a retirada de lesões planas é a técnica ESD (dissecção endoscópica submucosa) que foi desenvolvida no Japão e se diferencia dos demais métodos pela possibilidade de ressecção extensa, em monobloco, ampliando as possibilidades do tratamento endoscópico e com melhores resultados curativos. Ou seja, lesões que antes precisavam de grandes cirurgias, hoje podem ser ressecadas durante a colonoscopia e de forma ambulatorial.